Que Tipo de Punições Juízes Podem Sofrer do CNJ?

De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), seis penas podem ser aplicadas a magistrados.

Em ordem crescente de gravidade, são elas:

– advertência,

– censura,

– remoção compulsória,

– disponibilidade,

– aposentadoria compulsória (estas duas últimas acompanhadas de vencimentos proporcionais ao tempo de serviço) e

– demissão.

O Conselho Nacional de Justiça só julgará a conduta de servidores quando a falta disciplinar estiver relacionada a alguma violação de dever por parte do magistrado.

Qualquer cidadão pode acionar o Conselho Nacional de Justiça, desde que a reclamação ou representação esteja relacionada à competência institucional do CNJ, conforme o art. 103-B, §4º e §5º, da Constituição Federal, bem como o art. 4º e 8º do Regimento Interno do CNJ. Não é necessário advogado para peticionar ao CNJ. Veja maiores informações na página http://www.cnj.jus.br/sobre-o-cnj/como-peticionar-ao-cnj.

Fonte: site CNJ 09.07.2018.

O Caos Jurídico Provocado por um “Plantonista”

Por equipe Mapa Jurídico

O juiz do TRF4, que estava de plantão neste final de semana, Rogério Favreto, foi protagonista de um caos jurídico inédito no Brasil, ao determinar, no domingo 08.07.2018, um habeas corpus em favor do ex-presidente Lula, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso Triplex – operação Lava Jato.

Lembrando que Lula foi condenado por um órgão colegiado (no próprio TRF4) a 12 anos e 1 mês de prisão, dos quais já cumpriu 3 meses.

Tratou-se, claramente, de uma articulação jurídica bastante controversa, buscando efeitos práticos oportunistas, já que um juiz de plantão não pode “revogar” uma decisão colegiada (lembrando ainda que o STJ e o próprio STF já haviam decidido contra o habeas corpus de Lula, anteriormente, em várias decisões).

O juiz Sérgio Moro e o juiz relator do caso Triplex no TRF4 (João Pedro Gebran Neto), determinaram, em seguida, a suspensão do habeas corpus.

Moro especificou que “o desembargador federal plantonista, com todo o respeito, é autoridade absolutamente incompetente para sobrepor-se à decisão do Colegiado da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e ainda do plenário do Supremo Tribunal Federal”.

Gebran, nos autos, declarou que “chama a atenção a excepcionalidade da distribuição em plantão, haja vista que o paciente encontra-se em cumprimento de pena (…) sem que fato novo verdadeiro houvesse”.

Após o vai-e-vem de liminares, com o juiz Favreto insistindo (por 3 vezes!) em impor sua própria vontade, o presidente do TRF4 (Eduardo Flores), ainda no domingo, determinou que a Polícia Federal do Paraná (em cuja sede Lula está preso) se abstenha de tomar qualquer decisão que contrarie a sentença do plenário do TRF.

Merece repúdio dos operadores de direito a decisão de Favreto, que utilizou-se de suas prerrogativas plantonistas para destratar sentenças já sedimentadas.

Aguarda-se punição a este juiz pelo CNJ, pois tratou de tumultuar um processo cujo trâmite não lhe diz competência, invadindo prerrogativas de órgãos colegiados e trazendo descrédito ao princípio da imparcialidade do judiciário.